Quando tivemos a idéia de criar o Grupo Laços, a intenção não era apenas formar mais um grupo de teatro, nem mesmo de criar um espaço para estarmos juntos em família, já que estamos todos juntos dentro do Lema.
Mas fazer desse lugar, um lugar de aprendizado no evangelho, um lugar de exercício da devoção cristã.
Onde poderíamos, de uma forma mais direta, trabalhar os aspectos morais da Doutrina Espírita a partir do que nos ensina o evangelho do Cristo.
Teríamos um lugar para o aprendizado da simplicidade, da humildade verdadeiramente cristã que tanto nos falta.
Na verdade a arte sempre foi, e é, um canal para veiculação dos sentimentos, das emoções, da idéias e ideais. Mas junto a esse instrumento, teremos também sempre o desafio de lidar com as imperfeições da alma que são muito mais evidenciados sob as luzes dos holofotes. A vaidade, o orgulho, a soberba, que nos acompanham desde as mais remotas encarnações, encontram sempre a oportunidade de entrar em cena nesse cenário.
Não que deva o artista espírita temer esse desafio ante a possibilidade de cumprir com uma missão nobre como a de divulgar a mensagem espírita através da arte. Como coloca nossa irmã de ideal, Germana Carsten, inspirada por algum artista anônimo:
"Ser verdadeiramente humildade é ser simples e modesto sob as luzes dos Holofotes".
E isso é deve ser o nosso desafio maior, a meta de cada um de nós. Assim como fez Chico Xavier, que em meio a toda a fama e adoração de que se viu cercado, soube se fazer "menor" como propôs o Mestre.
Segue nossa companheira com outro acertado apontamento:
"Só tem medo da vaidade, quem vive açoitado por ela"!
Na verdade, talvez essa fosse a mais velada verdade escondida por trás desse novo projeto. Pois apesar de sabermos sobre todos esses preceitos, ainda grita em nossa alma, a voz que ecoa dentro de um ego muito bem consolidado em várias existências distanciados da verdade.
Percebi que precisávamos experimentar também outra forma de cumprir esse mister e percebermos se o que alimenta nossos propositos é a tarefa em sí ou o desejo de voltar a brilhar nos palcos do mundo, para o reconhecimento dos homens. Estes, como propõe o evangelho, já receberam sua paga.
Mas não é fácil se libertar de toda essa cultura egocêntrica que criamos e da qual impregnamos nossa psiquê.
Temos tentado seguir os passos da proposta de "Educação de Espíritos", a partir do relatos que temos recebidos de vários companheiros vinculados ao projeto que deu continuidade ao trabalho do grande educador de almas, Eurípedes Barsanulfo. Mas vez ou outras nos flagramos envoltos nos mesmos sentimentos sistemáticos de busca pela estética, sem darmos o devido valor, ao que é o real objetivo do grupo, nosso encontro com o Cristo e consigo mesmo.
O que deve importar é se a mensagem tem sido assimilada por nós, se ela tem promovido mudanças em nós mesmos antes de chegar ao público. Pois se assim não for, de que valerá um sem números de exibições, de espectadores contemplados, quando ela não tocou ao próprio artista?
"Bem aventuras os simples, pois deles é o reino dos céus".
Nessa passagem, Jesus mostra o quanto o Pai não estará jamais evidenciando as formas em detrimento das essências. Sejamos belos, mas que essa beleza não seja mero adorno às nossas almas.
Como contribuição a essa reflexão, deixamos essa pérola de Tim e Vanessa.
Como contribuição a essa reflexão, deixamos essa pérola de Tim e Vanessa.
O convite do Cristo é a uma simplicidade profundamente carregada de significados para o Espírito. De entrega e serviço, de fé e ação. Quanto mais experimentamos esse convite, menor se torna a força do apelo contrário em nós.
ResponderExcluirSão pequenas experiências que nos ajudam a desconstruir passo a passo os velhos quadros de memória. Tão pequenas quanto fundamentais. Tão importantes quanto for intensa a reconstrução dos Laços que elas nos ajudem a promover com os companheiros seculares de jornada que continuam a nos acompanhar.
Sigam em frente com a certeza de quem trilha o caminho da Verdade! Pois é nele mesmo que esse projeto os ajuda a caminhar...